O mercado e suas especificações

Site: Ambiente Virtual de Aprendizagem - IFMG
Curso: Empreendedorismo
Livro: O mercado e suas especificações
Impresso por: Guest user
Data: sexta-feira, 6 nov. 2026, 21:54

Descrição

Se liga! Leitura obrigatória! 

1. Mercado não é "todo mundo"

O Mercado é formado por pessoas e organizações com necessidades, contextos, critérios de escolha e capacidade de decisão. Delimitar um segmento inicial não significa excluir para sempre; significa tornar a investigação possível. Na construção civil, o usuário de uma solução pode não ser quem aprova ou paga por ela.

PAPEL

PERGUNTA PARA IDENTIFICAR

EXEMPLO

Usuário

Quem utiliza a solução?

Técnico de manutenção

Influenciador

Quem recomenda ou estabelece critérios?

Engenheiro, arquiteto ou conselho

Decisor

Quem autoriza a escolha?

Síndico, gestor ou proprietário

Comprador/pagador

Quem assume o custo?

Condomínio ou construtora / proprietário da obra.

Beneficiário

Quem recebe o resultado?

Moradores, clientes ou equipe

2. Segmento e persona provisória

Segmentar é agrupar públicos com características relevantes em comum: tipo de organização, porte, localização, comportamento, frequência do problema, critérios técnicos ou processo de compra.

Persona é uma representação provisória de um perfil prioritário.

Ela ajuda a organizar perguntas, mas não substitui pessoas reais nem deve inventar certezas.

Boa prática: Marque em sua persona o que já tem evidência, o que é hipótese e o que precisa ser pesquisado.


 

Atenção: a persona é uma representação fictícia do seu cliente ideal, construída com base em dados reais de comportamento e características dos consumidores. 

O que é uma persona?

Personagem detalhado: É como se você criasse um perfil com nome, idade, profissão, hobbies, sonhos e problemas específicos.

  • Base real: Não é achismo; ela usa informações reais de quem tem aquela dor, ou já compra ou tem potencial para comprar da sua empresa.
  • Foco em dores: Mostra o que essa pessoa precisa, quais são os medos dela e como ela toma decisões de compra.

 Diferença rápida para o público-alvo:

  • Público-alvo: É um grupo mais genérico (ex: homens e mulheres, de 20 a 30 anos, que moram em São Paulo e gostam de tecnologia).

 

Para a engenharia civil, a sua persona vai depender diretamente do tipo de serviço que você presta:

Aqui estão três exemplos práticos baseados nos nichos mais comuns do mercado:

1. Nicho: Projetos Residenciais e Reformas

  • Nome: Mariana, 34 anos.
  • Profissão: Gerente de Marketing.
  • O cliente ideal: Quer construir a casa própria ou fazer uma grande reforma, mas não entende de obra.
  • Principais dores: Medo de ser enganada por pedreiros, medo de a obra estourar o orçamento e falta de tempo para acompanhar o dia a dia da construção.
  • Como você ajuda: Oferecendo gestão completa da obra, cronograma detalhado, relatórios semanais e garantia de cumprimento do orçamento.

 

2. Nicho: Execução de Obras Comerciais

  • Nome: Roberto, 45 anos.
  • Profissão: Diretor de Expansão de uma rede de lojas.
  • O cliente ideal: Precisa abrir uma nova filial em um shopping ou ponto comercial de rua.
  • Principais dores: O prazo de inauguração não pode atrasar (cada dia fechado é prejuízo), burocracia com alvarás e necessidade de acabamento impecável no padrão da marca.
  • Como você ajuda: Garantindo entrega rigorosa no prazo, experiência com normas técnicas locais e equipe qualificada para turnos extras.

 

3. Nicho: Laudos Técnicos e Perícias

  • Nome: Ricardo, 52 anos.
  • Profissão: Síndico de um condomínio residencial de grande porte.
  • O cliente ideal: Precisa avaliar rachaduras na estrutura ou resolver infiltrações crônicas no prédio.
  • Principais dores: Responsabilidade civil e criminal por acidentes, pressão dos moradores por soluções rápidas e necessidade de um documento oficial e incontestável.
  • Como você ajuda: Emitindo laudos com alto rigor técnico, ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e propondo soluções definitivas para patologias da construção.
 

3. Mapa de empatia investigativo

Pense na hipótese que você levantou no final da atividade da última aula "Radar de oportunidade da engenharia" e reflita:

·     O que a pessoa tenta realizar?

·     O que observa no ambiente e nas alternativas?

·     O que diz e faz diante do problema?

·     Que dificuldades, riscos e receios enfrenta?

·     Que ganhos e critérios considera importantes?

·     Quem influencia sua decisão?

4. Concorrente é toda alternativa relevante

A concorrência não se limita a empresas com produto semelhante.

Inclui soluções manuais, serviços substitutos, planilhas, rotinas internas, adiamento e a decisão de não agir. A pergunta central é: como o público lida com o problema hoje?

TIPO

DEFINIÇÃO

PERGUNTA

Direta

Entrega solução semelhante ao mesmo público.

O que compara lado a lado?

Indireta

Resolve a necessidade por outro caminho.

Que outro serviço produz resultado parecido?

Improvisada/interna

Usa recursos já disponíveis.

Que planilha, rotina ou pessoa “quebra o galho”?

Não consumo/adiamento

O problema permanece sem contratação.

Por que o público prefere não agir?

5. Pesquisa: Fontes e limites

Quando temos uma hipótese é sempre recomendável pesquisarmos a fundo sobre a temática, é importante levar em consideração:

Fontes secundárias: normas, relatórios setoriais, bases públicas, artigos, sites institucionais e dados de mercado.

Fontes primárias: entrevistas, observação, questionários, teste de conceito e análise de comportamento.

Lembre-se: Uma fonte isolada raramente basta. Compare informações e registre sempre que possível data, origem, limites.

Curtidas, elogios e respostas hipotéticas não equivalem a comportamento de compra.

6. Entrevistar sem conduzir a resposta

A entrevista exploratória busca compreender experiências passadas e práticas atuais. Evite vender a solução durante a escuta. Peça autorização, explique a finalidade acadêmica, não colete dados sensíveis desnecessários e permita que a pessoa não responda.

EVITE

PREFIRA

POR QUÊ

“Você acha ótima uma plataforma que economiza tempo?”

“Conte como você organiza essa tarefa hoje.”

Busca experiência, não aprovação.

“Você pagaria R$ X?”

“Que custos ou consequências esse problema já gerou?”

Investiga comportamento e impacto.

“Esse problema acontece sempre, não é?”

“Quando ocorreu pela última vez?”

Reduz indução e recupera fatos.

“Quais funções você quer?”

“Qual etapa é mais difícil e por quê?”

Começa pela necessidade.

Roteiro-base de seis perguntas

1.  Conte sobre a última vez em que esse problema ocorreu.

2.  O que desencadeou a situação e quem participou?

3.  Como você tentou resolver?

4.  O que funcionou e o que gerou dificuldade, custo ou risco?

5.  Quem influencia, decide e paga por uma solução?

6.  Que evidência faria você considerar uma alternativa diferente?

Fechamento ético: Agradeça, explique como o registro será usado e não prometa uma solução que ainda não foi validada.